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Os medalhões da seleção de Parreira – incluindo o próprio – não serão lembrados como campeões mundiais (1994 e 2002). O fracasso vergonhoso na Copa da Alemanha transformou-os em reis do oportunismo. Ronaldo, o Gordo, atingiu a marca inédita de 15 gols em copas; Cafu, a de jogador que mais disputou partidas em mundiais; Roberto Carlos... Qual é a do Roberto Carlos? Marcas alcançadas, a honra e a vergonha foram postas para escanteio.
Tanta vaidade irradiou descrença entre os jovens. Ora, por que se matar pelo brilho individual de estrelas decadentes? Kaká só mostrou seu bom futebol na primeira partida contra a Croácia. Depois dela, desceu críticas sobre o técnico e os colegas, esperando alguma mudança de atitude na equipe. Como ela não veio, entrou no jogo do deixa-estar-para-ver-como-é-que-fica. Ronaldinho Gaúcho, mal escalado em campo pelo treinador, não brigou para atuar na posição em que brilha seguidamente pelo Barcelona. Resignou-se a cumprir uma determinação tática burra.
Parreira mostrou-se um fraco, refém da constelação decaída. Na véspera e durante o Mundial, engordou sua conta bancária com a venda de milhares de exemplares de seu livro, Formando equipes vencedoras. Agora, a obra está encalhada nas livrarias, mesmo com desconto de 40%.
Sinto dizer a Cafu que sua geração não será lembrada como vencedora, mas de desonrados. A imagem de sua substituição, a dez minutos do fim do fatídico monólogo de Zidane, não me sai da cabeça. O lateral caminha plácida e vagarosamente rumo ao banco, jogo parado, enquanto o garoto Cicinho estrebucha de agonia. Até a câmera de TV que fita o calmo trote se angustia.
A ele e a Roberto Carlos, naquela posição napoleônica em que aguardava a estocada de Henry, meu mais veemente desprezo.
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